“Todos os povos civilizados investigam as suas origens e amam a sua história.
Há uma força instintiva que atrai o homem à terra natal, seja ela uma simples aldeia perdida nos vales profundos,
nas serras majestosas e altaneiras, ou nas grandes cidades embaladas pelas ondas do mar,
onde os requintes do conforto seduzem os ricos e poderosos do mundo”.          Artur Monteiro do Couto






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na sede da CTMAD>br> Exposição de fotografia
NO SENTIDO DO OLHAR

organizado em colaboração
com a Univ. Lusíada


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(Oficinas de S. José)
Praça D. Bosco, 32 Lisboa
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2009.02.01
Conhece Vimioso ?

por Fernando Lopes Barreira

Fui solicitado pelo Presidente da Direcção da nossa Casa, o Prof. Jorge Valadares, para representar a minha Terra, o meu Concelho de Vimioso, na orgânica da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro

Aceitei de imediato, na esperança de, a pouco e pouco e adentro deste contexto transmontano, poder divulgar as belezas naturais, os costumes, as tradições de Vimioso e dos Vimiosenses espalhados pelos quatro cantos do mundo em que se inserem.

Não é, pois, tarefa fácil pelo pouco tempo disponível. Porém, o bairrismo dos Vimiosenses e as empenhadas ajudas de uns e outros amigos da nossa terra que connosco queiram colaborar, irão contribuir para podermos colocar a nossa Vila nos roteiros turísticos.

Nasci em Vimioso e, há quase meio século, vivo e trabalho em Lisboa.

Porém, nunca perdi os "laços" à minha terra, onde me desloco quase uma vez por mês.

Os dois ou três dias que ali passo em cada mês, fornecem-me as energias necessárias para retomar no quotidiano a minha actividade profissional.

Estranho e pouco comum, enfim, paradoxal, é conhecer muitas pessoas que nas suas férias rumam ao Brasil e outros países da América do Sul e da Europa e até da África, mas não conhecem Trás-os-Montes e a beleza das suas paisagens.

Vimioso situa-se na fronteira com Espanha, próximo de vilas e aldeias portuguesas que reúnem em si belezas naturais absolutamente paradisíacas.

Principalmente os romanos e os fenícios deixaram-nos um património ímpar e rico que se vai desenvolvendo pela fronteira, abrangendo ali bem próximo as cidades de Bragança, Mirando do Douro, Zamora e Salamanca.

A caça, hoje mais escassa que no passado, continua a ser ainda um grande atractivo para os caçadores, apoiada por coutadas que se espalham pela região.

O artesanato, cada vez mais interessante e atractivo, merece o estudo e o interesse dos nossos visitantes pela sua variedade, qualidade e especificidade.

O barro, a madeira, o couro, o vime, o aço e o cobre são as matérias-primas privilegiadas que os artífices locais transformam em peças maravilhosas e artísticas.

Os passeios pedestres pelas ravinas, montes e vales coloridos pelo multicolor da natureza, onde imperam as imensas variedades dos verdes, dos castanhos e dos cinzentos, enquadram a monumentalidade dos pequenos castelos, castros e atalaias, das pontes romanas e dos templos dos quais os romanos e góticos foram seus exímios arquitectos e construtores.

Refiro agora a gastronomia transmontana, cuja base é o porco e a carne de vitela, que denominamos por "Mamona", de tão tenra parece amanteigada.

Do porco e da caça se fazem as célebres alheiras, os salpicões, os chouriços e os butelos, que são localmente fabricados em regime industrial e artesanal e que fazem as delícias dos bons "garfos", apreciadores da boa comida.

Vimioso está hoje bem apetrechada por modernas infra estruturas hoteleiras que nos fazem sentir o verdadeiro sabor da terra, ecológico e delicioso.

Saber receber é das mais doces e espontâneas características da cultura transmontana. "Entre por bem, que a nossa mesa está sempre posta".

Em próximos números iremos detalhar esta pequena introdução à minha terra, que nos levará a concluir que Vimioso vale a pena.


Posted at 08:12 by ntmad
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2008.10.09
Viagem pelo Rio Sabor - À procura da Nascente*

Com a devida vénia, do Público Online, transcrevemos este excelente trabalho:

por Alexandra Lucas Coelho

Vai-se num jipe de ir às perdizes e às trutas. Primeiro acaba a strada, depois o caminho, depois Portugal. Então vai-se a pé, por uma paisagem de há mil anos. Aí nasce o Sabor, antes de começar a descer Trás-os-Montes. É uma memória de Portugal em risco. A barragem vai engolir milhões de plantas, animais e a terra dos homens. Viagem da nascente à foz, a partir de hoje.

Era uma vaca inclinada a beber, veio o lobo e comeu-a. A pele está por perto, esfarrapada como o resto de um tapete, e ainda tem o pêlo macio. Foi há não muito tempo.

No oeste selvagem aparece sempre o esqueleto de um bisonte devorado por chacais. A nascente do Sabor é um nordeste selvagem. Serranias de erva tenra, giesta, carqueja e urze, grandes pedras zoomórficas e um esqueleto de vaca à beira da água.

Devia ser assim em 1008 e é assim em 2008, começo do Outono. A fronteira ficou para trás há mais de uma hora a pé. Primeiro acaba a estrada, depois o trilho, depois Portugal.

O fim de Portugal é quando aparece um marco no meio do mato, de um lado P, do outro E.

Do lado espanhol continua-se calcando troncos estaladiços e cascalho, por entre densos arbustos e maciços de granito que é preciso trepar.

A paisagem é uma só, como um só é o céu, e o marco parece um brinquedo dos homens que ali ficou. A natureza não o leva a sério.

De resto, há muitos quilómetros que Vítor Vaz não avista qualquer homem. Viu quatro, sete, nove perdizes que parecem mini-galinhas alarmadas, antes de voarem. E vai ver corças a galope pelos campos, e mais poias de vaca, frescas e fossilizadas.

Se aqui anda, de calças de fazenda fina apesar das silvas, à procura da nascente do rio Sabor, dito o último selvagem de Portugal, talvez da Europa, é por cortesia para com os repórteres do P2, que seguem atrás.

A última vez que cá esteve foi há uns 20 anos. "Lembro-me que era num planalto, a terra mexia debaixo dos pés...", diz, a cismar no caminho, com uma palhita na mão.

O rio nasce entranhando-se. É por isso que na nascente a terra parece mexer debaixo dos pés, empapada, deslizante.

A partir daí, o Sabor desce numa linha sinuosa, cortando Trás-os-Montes de alto a baixo, até encontrar as águas do Douro.

A sua natureza é milenar.


A indigestão da barragem

O Sabor é "um retrato de tempos recuados, provavelmente medievais", diz Carlos Aguiar, montado num daqueles bancos de madeira que rodam, o que é útil para quem como ele não consegue estar parado.

Tenta energicamente resumir 120 quilómetros de rio Sabor em minutos de conversa, enquanto na sala ao lado uma aluna faz exame, uma colega ao telefone acaba de voltar dos matos da África do Sul, centenas de ervas aguardam em pastas a anotação final e daqui a nada é hora de ir buscar as filhas à escola.

Bragança, a próspera, ainda não tem engarrafamentos, e este botânico é um Pepe Rápido a pensar enquanto age, mas o Sabor não acaba.

E por onde começar - pela indigestão da barragem que vai engolir milhões de plantas e animais?

Em metade do percurso do Sabor, a água subirá, cobrindo montes e vales, até aos 234 metros de altitude. Não quer isto dizer que o rio suba 234 metros, porque não está à cota zero. No ponto mais baixo, junto ao paredão, poderá subir 101 metros normalmente e 111 em níveis de armazenamento, segundo a EDP. É a altura do Cristo-Rei, em Almada.

Foi um braço-de-ferro entre ambientalistas e decisores políticos. Agora está decidido.

Carlos Aguiar é contra. "E não sou um radical em matérias de ambiente. Difícil é o caminho do meio, aquele em que é preciso estar informado e quem o segue apanha nas orelhas dos dois lados."

Fala com o computador portátil aberto entre os manuais dos antigos que correram África a baptizar ervinhas. Conta histórias como se estivessem em risco de extinção, a corta-mato e com graça. Quando se anda à procura de quem sabe do Sabor, teoria e prática, o nome dele aparece sempre - Carlos Aguiar, 44 anos, professor de botânica neste campus verdejante, o Instituto Politécnico de Bragança, e líder local da Quercus.

O que é que faz do Sabor um rio único?

"Primeiro, é extenso, só a albufeira tem 50 quilómetros. Depois, sulca Trás-os-Montes e percorre todas as suas regiões naturais. Inicia-se na montanha e desagua num vale profundo. É um espectro muito amplo.

"Mas não exactamente selvagem, como se costuma dizer. "Não é o último rio selvagem. O que acontece é que percorre uma região muito pobre e as margens foram abandonadas há mais tempo que no Douro, no Tejo, no Mondego. Antes havia agricultura na montanha, pastorícia, centeio, batata. E nas terras baixas, oliveira, trigo, amendoeira."

Ainda há, mas muita gente emigrou e a geografia é dura. "É um rio torrencial, o caudal varia muito ao longo do ano. E é profundo, atravessa território inóspito. O facto de a agricultura nunca ter sido tão intensiva como noutras zonas e ter sido abandonada logo nos anos 50/60 permitiu que os bosques de azinheiras e sobreiros se reconstituíssem."

Para além dos bosques, há "matas de buxo, lodão bastardo, cerejeiras de Santa Luzia...", um conjunto tão raro e denso que Carlos Aguiar resume as coisas assim: "O vale do Sabor é para um botânico o que a igreja mais antiga de Portugal, a Capela de São Frutuoso de Montélios, é para um historiador."

Por causa do abandono das terras tão cedo, "hoje o Sabor tem ecossistemas terrestres em melhor estado que há 50 anos". Podia ser "uma espécie de trecho wilderness", pouco tocado pelo homem. "A Europa está toda muito tocada e os europeus têm a obrigação de criar 'áreas wilderness', de onde são retirados todos os elementos de artificialismo.

"Nenhuma ilusão quanto às barragens, no entanto, atalha: "Precisamos de algumas grandes barragens porque temos muitas eólicas. Mas têm que sobrar sítios onde não se constrói, pelo menos um. E o Sabor é o sítio certo, porque está pouco modificado pelo homem.

"Os eventuais benefícios locais desta barragem não o impressionam. Mão-de-obra, acha, "será pouca" e de fora. "Quem vai trabalhar na construção das barragens são imigrantes." E turismo, será "o da sandes de queijo", com "uma procura temporária" dos serviços de café e restaurante.

Sustentado por um recente estudo espanhol, Carlos Aguiar não é o primeiro nem será o último a dizer: "O turismo rural é uma ilusão. As pessoas aborrecem-se, e quem não se aborrece vai para as pousadas. O turismo rural em volta da barragem nunca vai alterar a vida das pessoas. Está num período de algum marasmo aqui na região, há falta de procura."

Aos urbanos cansados-da-vida pode parecer estranho, mas isto é Trás-os- Montes.

Mesmo numa cidade como Bragança, o campo é já ali.


Memória de um país

E se lá déssemos um salto?

Carlos Aguiar hesita. Depois fecha o portátil de um golpe, trata da recolha do exame da aluna, da recolha das filhas e mete-se no carro a guiar até ao Sabor.

Pára nos arrabaldes de Bragança, junto a um desvio da via rápida onde os carros passam a zunir.

De um lado da estrada há uma tabuleta a anunciar "Loteamentos do Sabor", projecto urbanístico que teve os seus 15 minutos de fama entre as classes AB locais e agora está um pouco parado.

Do outro lado da estrada é a grande ravina. Carlos Aguiar salta a guia de metal na berma e aponta lá para baixo, para onde há tanta vegetação emaranhada que não se vê rio.

"Isto é o rio Sabor. Tudo se está a silvestrar. O coberto está a reconstruir-se e está a haver espaço para os animais, raposas, corços, javalis, lobos, esquilos, martas, fuinhas..."

Desce uns passos em inclinação perigosa, e fica a apontar arbustos no grande anfiteatro natural à sua frente: "Isto é uma cerejeira brava, indígena de Portugal, está tudo cheio delas... aquela mancha escura são azinheiras, que aqui se chamam carrascos... ali há carvalhos misturados com cerejeiras de Santa Luzia... pilriteiros... sobreiros... roseiras bravas, de várias espécies... plantas invulgares como a Cornus sanguinea... ligustro-vulgar..."

O castelo de Bragança vê-se lá longe, à direita. O sol está a pôr-se. Dois rapazes passam num cross de bicicleta com capacete rente a Carlos Aguiar e à ravina.

"Que temos aqui? Um corredor de mais de 100 quilómetros de onde o homem se retirou. Em muitos trechos só sobram os pescadores, que aqui vêm à truta. Mais para baixo já não há trutas, só bogas, escalos..."

Carlos Aguiar não está a ver em Portugal nada que se compare. "Com esta dimensão e intensidade, não se verifica uma reserva assim. Todo o litoral está cheio de plantas invasoras. O Sabor é uma memória do país.

"Um país que "vai ficar um moinho de vento, cheio de barragens" e onde entretanto "o discurso dos ecologistas resvala para o mundo dos impossíveis, quando tem que ser o dos bons mundos possíveis".

Por exemplo? "As empresas que vão construir barragens, alterando estes espaços em regeneração, deviam investir nas medidas de compensação. Podem comprar este vale todo e geri-lo, que é fácil. Basta não mexer."

Nos anos 30, quando as pessoas começaram a plantar trigo aqui, o Abade Baçal, erudito da região, descreveu a "invasão do rio Sabor", criticando "o povo ignaro". As pessoas faziam agricultura porque eram pobres, e depois deixaram a agricultura porque continuavam pobres.

Talvez agora o Abade Baçal ficasse satisfeito com o que se vê, embora nas costas passem carros. Aos pés teria erva doce. É ao que cheira.


Glória a Vítor Vaz

Muito se caça em Trás-os-Montes.

Um dos caçadores de Bragança é Vítor Vaz, 43 anos, que de resto tem um café. Como tantos que hoje vivem na cidade, nasceu na aldeia, ainda mais lá para cima, no Parque de Montesinho.

Esta manhã já tirou muitas bicas antes de se sentar no jipe para ir em busca da nascente do Sabor. Não fosse ele e o P2 ia encalhar já ali adiante, quando a estrada acabar e começar o caminho.

O jipe é de ir às perdizes e às trutas, verdadeiro todo-o-terreno.

Arranca de Bragança para Norte ao lado do Sabor, "um rio muito pescado", que a esta hora mal se vê, é só um brilho entre as árvores. Passa casas e vacas, a aldeia de França, terras abandonadas pela emigração. "Isto antes era tudo semeado, agora já pouco se semeia."

É já o caminho de terra, sempre ao longo do Sabor, entre grandes fragas. O jipe salta nos buracos. "Já ninguém mexe no caminho. Quando eu era pequeno ainda aqui trabalhei, a tapar buracos." Como este, grande, ainda cheio da chuva de ontem.

Chegando a uma bifurcação, para a direita é a Ribeira das Andorinhas, que vai dar à Aldeia de Montesinho, e para a esquerda o Sabor.

O caminho piora, ladeado por castanheiros. É "zona da boa castanha", quase madura, lá nos ouriços. Vêem-se umas velhas placas carcomidas a anunciar viveiros de trutas de Montesinho. Uma suave paisagem de colinas. O telemóvel apita com bienvenidos a España, antecipando-se muito à fronteira. Aparecem grandes maciços de pedra.

O jipe pára numa pontezinha a que chamam Porto do Sabor. Aqui o rio tem uns dois metros de largo, e está coberto de folhas. É tão pouco fundo que se contam as pedras submersas e mal corre. Aparece uma coisa castanha a nadar rápida. "Um rato da água", anuncia Vítor, descontraído. E depois, de mãos nos bolsos: "Há quem os coma."

Já de novo ao volante, entusiasma-se com quatro perdizes a correr à frente do carro, aflitas. Sabe que estão velhas porque são grandes, e bamboleiam o traseiro como as galinhas. "São todas vaidosas", diz ele, que as caça e come. "Se é boa a perdiz? Ahhhhh... É muito boa. Estas, que são bravas."

Vêem-se montanhas fofas de fetos em vários tons, laranja, limão, tangerina, e um horizonte ondulante, com eólicas gigantes muito ao longe, a rodar. "Todas espanholas, aqui não se pode."

Um campo de feno onde antigamente se semeavam batatas vai dar à Casa da Lama Grande, uma das que o Parque Natural de Montesinho aluga a grupos, por exemplo na passagem de ano. É um lugar muito remoto. Parece o fim dos homens.

Das traseiras da casa partem dois trilhos. Vítor não tem a certeza, telefona a uma montesinha a perguntar, segue o da direita. O jipe soluça a trepar montes até que o trilho acaba.

A partir daqui é a pé. Já adiante está o marco que separa Portugal de Espanha.

O truque é tentar seguir sempre o rio até o leito acabar. Aí será a nascente. Sabe-se que fica uns quilómetros dentro de Espanha, mas quantos? E onde está o rio? Será este curso de água aqui, ou aquele que rumoreja ali?

Vítor caminha entre giestas gigantes e carquejas. Pára, mira a toda a volta. Não, alguma coisa não está bem. Esta ribeira não é o Sabor. Telefona a outro montesinho. Ele diz que afinal o trilho certo nas traseiras da casa era o da esquerda.

De novo a pé até ao jipe. De novo o jipe até à casa.

Cá está o trilho da esquerda. Vítor acelera como pode. Mas de repente há um desvio à direita, e mais adiante outro à esquerda. E no cimo de uma colina, uma antena gigante. E agora? Vítor opta por subir à colina para observar tudo em volta e se orientar.

De repente dá com o Sabor. "Pronto, é ali.

"Volta a descer a colina, volta atrás ao desvio da direita.

É finalmente o caminho certo. O jipe vai de novo até onde pode e depois Portugal acaba em cima de uma grande pedra. Há que trepá-la e seguir a pé.

Cá está o rio, sempre do lado esquerdo, por vezes escondido entre arbustos gigantes, por vezes formando poças reluzentes. "Quem diria que isto é o Sabor!", emociona-se Vítor. "Parece uma águinha de regadio."

Nos invernos, o caudal é temível em alguns pontos. Mas agora não é Inverno, e aqui é onde o rio está só a nascer.

Vítor começa a levantar os pés com muito cuidado. A terra já começa a ficar empapada, mas ainda se vê um leito com água. Há que seguir, e seguir mais. E é então que o incansável Vítor dá com o esqueleto da vaca abandonado junto à água. "Os lobos deram cabo dela..."

Que é terra muito frequentada por vacas, nota-se pelo caminho, cheio de poias. "Andam aí à vontade, sem pastores. Já ninguém vem para aqui."

Também se vêem umas bolinhas castanhas, que o caçador experiente identifica como sendo de veado. E mais à frente, a pele da vaca, enrodilhada. "Não foi há muito tempo...", diz Vítor, apalpando o pêlo.

Logo adiante finalmente deixa de se ver água. Sente-se só por baixo dos pés. Eis a nascente. Um fio junta-se a outro e outro. Quando se tornam fortes começam a correr juntos, e é um rio.

No fim desta viagem, um homem da terra vai perguntar: "Mas onde é a nascente do Sabor?" Porque mesmo quem é de cá já não lá vai.

Glória a Vítor Vaz, que muitas silvas venceu sem calças nem botas para isso. Bem merece ver cinco perdizes, duas corças e uma raposa antes de chegar a Bragança.

Assim será.


Epílogo no Solar

Há caça do Sabor na lista do Solar.

É mesmo no centro de Bragança, mas se o leitor está em Lisboa ou no Porto, a centenas de quilómetros, também não perde a viagem. O Solar Bragançano é um daqueles lugares onde Camilo podia jantar com Eça e a nossa avó. António Desidério, o anfitrião, lê Clarice Lispector desde que leu Perto do Coração Selvagem, e Ana Maria, a anfitriã, cozinha as mais tenras postas montesinhas com a elegância de uma bailarina.

A que propósito vem isto?

Pois de comer bem, que estamos em Trás-os-Montes. E terras no Sabor, daquelas abaixo de Bragança que vão ficar inundadas, sim senhor, também as tem Ana Maria, que é da aldeia de Brunhosa. "Íamos para o rio fazer piqueniques", lembra. "Íamos a cavalo. Havia amendoeiras, oliveiras, aquelas fragas... É uma paisagem deslumbrante e agora está completamente abandonada, nem vamos lá." Acrescenta Desidério: "A última vez fomos colher azeitona." E Ana Maria: "Mas foi há muitos anos." Para quem conhece o que foi, remata Desidério, "a água vai transbordar e matar qualquer coisa no coração deles".

Ao longe não se imagina como. É preciso ir lá e ver, amanhã.

________________

*Veja no Público online a Fotogaleria: Viagem ao Rio Sabor - Da nascente ao Foz


Posted at 16:54 by ntmad
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2008.09.21
O METRO TOMBOU AO RIO !

por José Agostinho Fins

 

Uma vez mais, a quarta desde Janeiro/2008, o Metro de Mirandela, tombou na linha, semeando a morte!!... ceifando vidas!!....  "caiu numa pequena ravina de 4 metros!!!....", segundo ouvi em um dos noticiários da Televisão, nem importa em que canal!!...

Tendo o mais profundo respeito pela vida, e pela morte, bem como pela pessoa humana, não deixo de realçar que o metro já tombou quatro vezes, em oito meses, e que a ravina, no caso vertente, tinha quatro metros, (suponho de profundidade!!...), e foi dita de pequena!!...  o que será uma grande ravina!!??...

 

Desde que me conheço, eu tenho um fascínio por comboios!.. por ventura, pelas suas linhas em perspectiva, convergindo lá longe… não sei bem!...

Com que saudades recordo o comboio parado e a fumegar na bela estação de Mirandela!!... imagens que a memória guardou no tempo, no meu tempo!!...  que bela imagem aquela, fumegante!!.. que fantástica perspectiva!!...   que saudades!!...

 

Durante anos, décadas, o comboio subiu e desceu o vale, acompanhando o rio Tua!... deambulou pelo planalto bragançano, de Mirandela a Bragança!... silvando, assustou, avisou, cumprimentou, deu as "boas horas"… a todos quantos o viam passar!!...  transportou tudo e tantos!!... transportou saudades e lágrimas, sorrisos e esperanças!!...   marcou o tempo!!!..

 

Mas os tempos mudam!.... "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…", como escreveu, sabiamente, o glorioso Poeta, Luís de Camões… e, por conseguinte, o comboio, o saudoso comboio…. diluiu-se, desapareceu, chorou, sangrou fogo….    e, enfim , a "economia", a sábia economia,  fê-lo desaparecer, como que o assassinou!!...  ao que parece a "economia" também mata!!!...

 

Não sei porquê, nem como, talvez fruto dos tempos, da evolução dos tempos,….  eis que aparece a circular nos mesmos carris, no caminho do comboio, o metro de superfície, o metro de Mirandela… que, contrariando a definição de "metro padrão", se tornou maior, esticou, chegou de Mirandela a Carvalhais, depois de Mirandela ao Tua, e de Mirandela a Bruxelas!!...  "e se mais houvera lá chegara!".… São, enfim, os segredos da física, os segredos da ciência, os segredos… certamente os segredos!!....

Ostenta a côr verde, o verde dos campos, o verde da esperança!!?....   mas, esperança de quê!?... de simular o comboio!?...  de substituir o comboio!?..  não sei, e certamente não entendo, nem tenho que saber!!... mas, enfim, dado que não há comboio, pois vejamos o "metro" passar!!...  mas, já que passa, pois que ele passe, que viaje, em segurança!...  com segurança!...  no respeito inquestionável pelas vidas que transporta!!...   isso é absolutamente necessário!!...   é um imperativo!!..   e para que isso aconteça são requeridas condições!!...  sim, são necessárias condições de segurança!!...

 

Não sei porquê, não entendo porquê, mas …  o "metro" tombou ao rio, ou numa pequena ravina de quatro metros!!!... e, pasme-se, desde Janeiro até Agosto já sofreu quatro acidentes, e fez mortes!!... fez mortes!!... matou pessoas!!....  semeou a morte no campo!!.... no mesmo campo onde devem plantar-se e cultivar-se flores!!...

 

O metro tombou ao rio!!...pergunta-se porquê, e como!!??...

 

O que se passa!?... não sei!!...   nem entendo!!... ninguém entenderá!!... nem quero propor nenhuma explicação técnica!!...  alguém o fará, ou fez, no espaço e no tempo certos, e com o rigor cientifico que a vida e a morte reclamam!!...

 

Suponho que o comboio, velhinho e sangrando ferrugem, onde quer que esteja, gelou!!.. chorou!!.. enraiveceu-se, por certo!!!... quis voltar aos carris e devolver essas vidas ceifadas!!...  o rio Tua fez parar as suas águas!!...  "….correu ao mar, o Tejo duvidoso!...", como bem escreveu o genial Poeta!!!...

 

Neste momento de nostalgia, em que a tristeza me invade o peito, em que a incerteza do futuro me angustia a alma…..  fico a pensar e pergunto-me, buscando respostas:

 

- Que é feito do Rio Tua!??... talvez exista apenas nas lágrimas de saudade, de quantos lhe engrossam a corrente!!...

 

- Que é feito do Vale do Tua!??... talvez seja um vale de lágrimas, ou nisso se vá tornando, por sua desventura!!..

 

- Que é feito da linha do Tua!??... talvez o desalinho de mentes desalinhadas, oxidadas, ou assombradas pela economia!!...

 

- Que é feito do comboio do Tua!??... talvez esteja apodrecendo, algures, devolvendo-se à Terra, em óxidos, apodrecendo com a saudade, das saudades que deixou!!...

 

- Que é feito dos Homens!?...  que é feito dos Homens!?...  sim, que é feito dos Homens!!??...

  


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2008.09.04
Trindade Coelho: centenário da morte (1861-1908)

 

Em Lisboa, a Câmara Municipal está a trabalhar em parceria com outras entidades para produzir um programa à altura do jornalista, escritor e jurisconsulto de Mogadouro: Francisco José Trindade Coelho (1861-1908). O descerramento de uma lápide evocativa na casa onde viveu os seus últimos dias - na Rua Larga de São Roque, nº 20, 4.º andar (actual Rua da Misericórdia) - assinalará o arranque das comemorações. A cerimónia está agendada para o dia 9 de Agosto, data fatídica em que o escritor se suicidou, e vai ser precedida da apresentação institucional da programação municipal, que se estenderá pelos meses de Setembro e Outubro.

 
O objectivo é que essa programação reflicta toda a diversidade da vida e da obra de Trindade Coelho - o que não é pouco, atendendo à sua apurada consciência cívica, que sempre o induziu a uma ampla intervenção no âmbito das áreas profissionais em que desenvolveu actividade.
 
A sua iniciação no jornalismo começou cedo, quando estava ainda o Colégio do Porto. Depois, já na Universidade de Coimbra, onde cursou Direito, colaborou em vários jornais, como o Progressista, o Imparcial, entre outros, sob o pseudónimo "Belisário". Foi mesmo o fundador de uma folha, A Porta Férrea, que se tornou muito popular entre a academia, assinando então já os artigos com o seu nome. Além desta, fundou ainda a revista Panorama Contemporâneo, ao mesmo tempo que escrevia crónicas para vários jornais de província, como o Tirocínio, a Beira, o Douro, e mesmo para jornais de referência, como o Diário Ilustrado, Diário de Lisboa, e o Jornal da Manhã, do Porto. Foi em Coimbra que conheceu Camilo Castelo Branco, do qual ficou amigo. Refira-se ainda que Trindade Coelho foi um dos fundadores da Associação dos Jornalistas de Lisboa, para a qual redigiu os respectivos estatutos.
 
Em 1885, concluído o curso, passou a dedicar-se à advocacia. Ocupou depois o cargo de administrador do concelho interino e foi delegado do Procurador Régio em Portalegre, onde esteve 4 anos. Aqui fundou 2 jornais: Gazeta de Portalegre e Comércio de Portalegre, de que foi redactor literário. Em 1891, está em Lisboa, a servir no tribunal auxiliar do 2.º distrito, primeiro com o conselheiro Neves e Sousa e depois com Francisco Maria da Veiga. Na capital trabalhou na redacção de 3 jornais diários, Portugal, Novidades e Repórter, fundou a Revista Nova e, com o juiz Francisco Maria Veiga, a Revista de Direito e Jurisprudência. Destacou-se na defesa, em África, de 33 réus presos sob a acusação de crime político, que foram absolvidos com os seus acusadores a serem presos e punidos. Regressado em Lisboa, retomou o seu cargo no tribunal fiscal. Em 1895 é nomeado novamente delegado do procurador régio, em Lisboa, sendo exonerado, a seu pedido, em 1907. Um ano depois suicida-se.
 
À sua obra mais famosa, o livro de contos Os Meus Amores, juntam-se: Terra Mater, que saiu na colecção de brindes do Diário de Notícias, Primeiras Noções de Educação Cívica (1906), Manual Político do Cidadão Português, In Illo Tempore, narrativas da vida coimbrã (1902), Dezoito Anos em África (1898), vários Folhetos para o Povo e, para o ensino, 1.º. 2.º e 3.º Livros de Leitura, Elementos de Educação Cívica e Pão Nosso ou Leituras Elementares e Enciclopédicas para uso do Povo.
 
Trata-se, portanto, de uma figura incontornável da cultura e das letras portuguesas, cuja vida e obra carece de uma nova abordagem historiográfica e literária. Por outro lado, parte da sua vida decorre em Lisboa, cidade com a qual estabeleceu laços e memórias importantes, plasmadas, por exemplo, na toponímia da cidade, com o Largo Trindade Coelho.
 
Sobre a programação, embora ainda em fase de acerto, podemos adiantar que incluirá:
Duas mostras bibliográficas e documentais ─ uma, centrada na sua obra periodística, tendo por base a colecção da Hemeroteca Municipal (2.ª quinzena de Setembro – Outubro) e outra que, a partir do espólio da Biblioteca Municipal Central, focará a sua obra literária e jurídica (2.ª quinzena de Setembro – Outubro);
Um ciclo de colóquios, intitulado Trindade Coelho, Vida e Obra Cem Anos Depois (1908-2008) ─ o primeiro será dedicado a Trindade Coelho, Jornalista (2.ª quinzena de Setembro), no âmbito do qual está já confirmada a comunicação de António Valdemar (jornalista do Expresso e Membro da Academia de Ciências de Lisboa); o segundo versará sobre Trindade Coelho, Escritor (1.ª quinzena de Outubro), para o qual é já certa a participação de Ernesto Rodrigues (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa); o terceiro aborda o tema de Trindade Coelho, Política e Cidadania no Portugal de Oitocentos, que contará com a colaboração, entre outros, de Luís Bigotte Chorão (Centro de História da Universidade de Lisboa e Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra), durante a segunda quinzena de Outubro. As comunicações terão lugar em vários equipamentos municipais e espaços culturais da cidade de Lisboa (Hemeroteca Municipal, Casa Fernando Pessoa, Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro e Biblioteca Municipal Central).
 
Animação de rua, no Largo Trindade Coelho (Bairro Alto), com Alfarrabistas, feira de produtos regionais de Trás-os-Montes e Alto Douro, e espectáculos musicais.
Digitalização e disponibilização em linha, através da Hemeroteca Digital (http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/), de alguns textos jornalísticos de Trindade Coelho, além de recursos informativos de natureza diversa: programa das comemorações, apontamentos biográfico e bibliográfico, incluindo as ligações às obras de e sobre Trindade Coelho existentes no Catálogo das Bibliotecas Municipais de Lisboa (http://catalogolx.cm-lisboa.pt/#focus); indicação organizada de outros endereços electrónicos com informação relevante na Internet; recensões e/ou actas digitais das comunicações entretanto apresentadas nos colóquios referidos;
Lançamentos/apresentações de livros publicados sobre Trindade Coelho, no âmbito do centenário da sua morte, cerimónias que poderão ter como palco o Teatro Municipal S. Luís – Jardim de Inverno;
Edição de catálogo, centrado na mostra bibliográfica da Hemeroteca Municipal e que ficará como registo e memória desta efeméride.
Sessão solene de encerramento do centenário, que terá lugar no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

 


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2008.06.10
10 DE JUNHO, DIA DE PORTUGAL E DAS COMUNIDADES

Mensagem do Presidente da República às Comunidades Portuguesas

Nesta celebração do Dia de Portugal, mas também das Comunidades Portuguesas, quero saudar de forma muito particular todos os Portugueses da diáspora, dirigindo-lhes uma mensagem de estímulo e de reconhecimento.

Desde o início do meu mandato tenho tido a preocupação de realçar o mérito dos Portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro, o importante papel que desempenham na afirmação de Portugal no mundo, que tive a oportunidade de testemunhar em diversas ocasiões.

Foi o que aconteceu, há pouco menos de um ano, quando me desloquei aos Estados Unidos da América para visitar as comunidades das áreas de Boston, Fall River, New Bedford e Newark ou, mais recentemente, quando, no Rio de Janeiro e em Maputo, contactei com Portugueses que vivem e trabalham no Brasil e em Moçambique.

Sabemos que não é de hoje a aventura portuguesa no mundo. Mas, se os Portugueses que partiram da sua pátria têm uma história feita de determinação e de engenho, têm também um presente e terão, certamente, um futuro que importa valorizar.

Foi com este objectivo que decidi apoiar a criação do "Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa", que tive a oportunidade de anunciar no ano passado, durante a minha visita à comunidade portuguesa no Luxemburgo.

Este prémio pretende reconhecer cidadãos portugueses que, pela sua capacidade de empreender e de inovar, se tenham distinguido, quer pela sua acção nos seus países de acolhimento, quer pela sua relação com Portugal.

Sei que este é apenas um pequeno contributo. Sei como as gerações de Portugueses espalhados por todo o mundo têm sido a expressão do espírito empreendedor português, da capacidade de assumir riscos, do esforço e da ambição de ir mais além. Mas sei, igualmente, que todos somos necessários para mobilizar esse enorme capital social que a diáspora portuguesa representa.

A facilidade de comunicação e a rapidez de transferência de conhecimento, que caracteriza a globalização, configura um novo desafio para Portugal, mas simultaneamente uma nova realidade para a nossa diáspora.

Se no passado muitos partiram sem saber se algum dia teriam a possibilidade de regressar, hoje as distâncias encurtam-se e todos os Portugueses podem estar bem mais próximos uns dos outros e do seu País.

Por isso, neste Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, apelo à mobilização desse imenso capital social e humano, que são os cinco milhões de Portugueses e de luso-descendentes que vivem e trabalham no estrangeiro.

Os recursos e os conhecimentos dos Portugueses no exterior podem contribuir para uma maior afirmação de Portugal no plano internacional, apoiando, por exemplo, a entrada de produtos e de empresas nacionais em novos mercados.

Por outro lado, Portugal deve saber atrair e acarinhar os Portugueses que, estando no exterior, pretendem regressar e, desta forma, contribuir com investimentos, formação e experiência para o desenvolvimento económico e social do País.

Essa mobilização poderá ser feita com o empenhamento da sociedade civil, devendo ser complementada e consolidada através do desenvolvimento de mecanismos formais - como por exemplo, as câmaras de comércio, as novas redes comerciais, sem esquecer as instituições tradicionais de origem portuguesa. Mas, sendo este um desígnio nacional, caberá ainda ao Estado português fomentar as relações entre Portugal e as suas comunidades.

Neste Dia de Portugal, não poderia deixar de evocar esse extraordinário génio literário, cujo dia também hoje se celebra, Luis Vaz de Camões. A sua maior obra, "Os Lusíadas", expressão máxima da nossa língua, nunca teria sido escrita se também ele, um dia, não tivesse partido à descoberta de "novos mundos".

Comemorar o Dia de Camões é celebrar a Língua Portuguesa. Também no domínio da valorização da nossa língua e da nossa cultura, o papel fundamental das comunidades portuguesas não pode ser esquecido.

A todos os Portugueses que residem e trabalham no estrangeiro deixo, mais uma vez, uma palavra de apreço e de reconhecimento.

Sei que podemos contar convosco. Podem e devem contar com Portugal.

 


Posted at 11:20 by ntmad
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2008.04.05
PASSEIO AO NORDESTE TRANSMONTANO*

(PASSANDO AINDA POR SANTIAGO DE COMPOSTELA E PELA FEIRA INTERNACIONAL DE VINHO ALVARINHO, EM MONÇÃO)

22 Maio 2008 - Saída de Lisboa; Coimbra; Vila Nova de Foz Côa (almoço); Torre de Moncorvo; Mogadouro; Miranda do Douro (jantar e dormida).

23 Maio 2008 - Saída de Miranda do Douro; Vimioso; Gimonde (almoço, no Restaurante Típico D. Roberto); Bragança (visita ao castelo a ao Poliz); Vinhais, Valpaços e Chaves (jantar na Adega do Faustino e dormida no Hotel).

24 Maio 2008 - Chaves; Santiago de Compostela; Tui (almoço livre e visita à catedral de Tui); Monção (jantar e dormida no Hotel Termas).

25 Maio 2008 - Monção; Vila Nova de Cerveira; Caminha; Viana do Castelo; Famalicão (almoço num restaurante panorâmico); Porto; Lisboa (chegada prevista às 23 h).

PREÇO POR PESSOA - 240 € ou 170 €.

O preço de 240 € inclui transporte, almoços e jantares, dormida em hotéis (só um almoço livre).

O preço de 170 € não inclui jantares.

CONTACTO: Augusto Martins ( 217 939 311 ou 919 846 157).

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*organização sem fins lucrativos, promovida pela Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa.

 


Posted at 18:56 by ntmad
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2008.02.21
Passeio Convívio ao Rio Douro*

Do Porto à Régua - I Parte

Passeio Convívio ao Rio Douro *

Dias 7 e 8 de Junho

Dia 7

 

7.00h – Saída de Lisboa

            Pequeno-almoço pelo caminho.

            Visita à cidade de Viseu.

              

13.00h – Almoço no Restaurante "O Paraíso" em Lamego,

            na Serra das Meadas.

 

15.00h – Visita ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios

 

16.00h – Chegada à Régua com visita à Casa do Douro e prova

do Vinho do Porto 

 

18.00h – Chegada a Vila Real ao Hotel Mira Corgo.

            Jantar, Dormida.

 

Dia 8

 

08.30h – Embarque após pequeno-almoço.

            Descida do Rio até ao Porto.

 

            O almoço será servido no Mosteiro de Alpendurada.

 

            Regresso ao Barco.

 

17.30h – Chegada prevista ao Porto.

 

18.00h – Regresso ao autocarro com destino a Lisboa

 

Preço por Pessoa:

            Maiores de 11 anos - 180.00€

            Entre os 3 e os 11 anos – 90.00€

            Até aos 3 anos – Grátis

50% do Preço é pago no acto de inscrição o restante 10 dias antes da Viagem                   

Nota: No Rio Douro haverá a passagem por 3 barragens. Uma com um desnível de 30 metros, outra com um desnível de 21 metros e outra com um desnível de 17 metros.

 

CONTACTO:

AUGUSTO MARTINS - 919846157

__________________________________________________________________

*organização sem fins lucrativos, promovida pela Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa.

 

Do Porto à Régua - II Parte

Do Porto à Régua - III Parte

LAMEGO - A Nossa História Tem Futuro I

LAMEGO - A Nossa História Tem Futuro II

LAMEGO - A Nossa História Tem Futuro III

LAMEGO - A Nossa História Tem Futuro IV


Posted at 07:14 by ntmad
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